Blog do Gato

Tenho um pequenino livro de Schopenhauer, Sobre livros e leitura, edição da extinta Editora Paraula, que está sempre à mão, uma companhia inseparável nestes tempos de e-book. Num determinado momento o filósofo reclama que “seria bom comprar livros se pudéssemos comprar também o tempo para lê-los, mas, em geral, se confunde a compra de livros com a apropriação de seu conteúdo.” Ele certamente ficaria maravilhado com as possibilidades de um e-reader ou iPad, a tiracolo, carregando uma biblioteca inteira com milhares de livros sem peso algum. Jorge Luis Borges, outro escritor, já não se importava com a falta de tempo ao comprar livros; mesmo cego, ainda comprava livros e dizia que não podia mais prescindir da companhia deles. São dele estes versos ao assumir a presidência da Biblioteca Nacional da Argentina: “Ninguém reduza a lágrima ou açoites / Esta declaração da maestria / De Deus, que com magnífica ironia / Deu-me juntos os livros e a noite”.

Borges, na Biblioteca Nacional da Argentina

Recentemente a escritora Lygia Fagundes Telles reclamou da atual edição “muito cara” que recebeu Capitu, livro com o roteiro de cinema que ela e o crítico Paulo Emílio Sales Gomes escreveram em 1967. Ela, então, sugeria uma edição popular, cogitando inclusive de tirar a edição “cara” do catálogo. A mesma editora, conhecida e premiada pelos seus belos projetos editorias, também fez o mesmo com o Primeiro Amor, de Samuel Beckett; a pequena obra-prima de 32 páginas também ficou “muito cara”, por causa do belíssimo acabamento gráfico. Em tempos de e-book, vamos pensar um pouco: o escritor irlandês imaginava algum tratamento gráfico primoroso quando a escreveu, em 1945, provavelmente em sua máquina de escrever Remington , ou simplesmente anotando em papéis avulsos que encontrava pelo caminho? O que ele desejava, naquele momento de criação, era buscar e/ou encontrar um arranjo de palavras possível (ou impossível) que inventasse uma história que até hoje é “capaz de deixar qualquer leitor estupefato” – o texto surpreende; não o projeto gráfico, tampouco o suporte onde transcorre a sua leitura.

É claro que os belos projetos gráficos sempre ajudaram a atrair leitores, mas, paradoxalmente, afugentaram muitos por causa dos preços caros desses livros. Eu mesmo já ganhei um Jabuti por melhor produção editorial.

De Schopenhauer a Borges, o e-book talvez dê conta da falta de tempo para ler e da companhia imprescindível do livro, ao mesmo tempo buscando uma solução simples para a reclamação da escritora sobre as edições caras. O filósofo alemão, que morreu em 1860, nem chegou a experimentar a maravilha da invenção do telefone. Tinha tempo de sobra para ler e escrever, sem internet, televisão, cinema, Twitter, Facebook, e-mail, iPod (o que mais?!)… Hoje em dia, com tudo isso para ocupar o nosso tempo, o livro precisa estar à mão, sempre por perto. Talvez numa fila qualquer sobre um tempinho e dê vontade de folhear a poesia de Emily Dickinson ou conhecer a instabilidade semântica de Manoel de Barros, ou, numa tarde chuvosa, contar com a companhia de Poe ou Júlio Verne, quem sabe conhecer finalmente Platão e Sócrates numa manhã inútil, ousar uma viagem sem volta pelos círculos da Divina Comédia em uma noite interminável, ou, simplesmente, descobrir, nas horas perdidas dentro do metrô, o que Paulo Coelho tem que encantou leitores no mundo inteiro…

Ilustração de Júlio Verne

A dessacralização do livro (e da leitura) parece que está a caminho com a invenção do e-book e com os novos hábitos das novas gerações. Como observava Schopenhauer, já lá no século XIX, não se pode confundir a compra de livros com a apropriação de seu conteúdo. É preciso lê-los! E tê-los por perto, é claro.

Alonso Alvarez
17 de março de 2011
Categorias: Institucional

Estou testando o Galaxy Tab. Já aviso logo que sou fã do iPad, então, tinha tudo para não gostar de um tablet com sistema operacional Android, mas… Surpresa! Amei. E estou achando até mesmo que é um pouco melhor que o iPad, acreditem!

Comparando o tablet da Samsung com o da Apple, o primeiro tem mais prós do que contras. O tamanho, para quem anda de um lado para o outro, é perfeito, tem milhares de aplicativos e vira um eBook bem legalzinho.
Testei o Kindle for Android e em cinco minutos já tinha comprado e estava abrindo o livro digital escolhido (no caso, In Defense of Food – aproveitando para indicar =0) ).

Para quem gosta de ler quadrinhos no iPad, provavelmente não gostará do Galaxy Tab, pois nesse caso, o tamanho do iPad ainda é melhor.

O teclado do Galaxy é ótimo e não tem delay, o telefone e o sms são perfeitos, já vem com um fone bluetooth, bem prático (apesar de que, ainda assim, não o usaria como telefone) E, além disso, ainda possui a opção de redirecionar chamadas, integra sua agenda com seus contatos do Facebook e google id e o email é ótimo e admite múltiplas contas com bons marcadores. A máquina e o flash são muito bons também. Ele tem um ótimo aplicativo que uso como scanner. Muito bom!

Os eBooks das livrarias brasileiras, protegidas por DRM, podem ser lidos no Aldiko, um aplicativo grátis que permite passar os livros do Digital Edition para o SD Card, e de lá o Aldiko já o lê com seu id e senha da Adobe (suporte ao DRM).

O Galaxy é mais leve, só a capinha que vem com ele é que me incomodou, pois abre da forma oriental, ao contrário, mas isso eu resolvo logo logo!
Vídeo chamada ainda não experimentei, pois o Skype não vem com esta opção no Android, ainda… (pô Skype!)

Páginas da internet com flash vêm perfeitas, mas não consegui acessar o conteúdo exclusivo do Globo Vídeos. Espero na próxima atualização conseguir.
Mas o que existe de mais positivo, acredito, é a independência do iTunes. Com o Galaxy, você pluga no computador e transfere arquivos normalmente como se fosse um drive externo… é, isso é muito muito bom!

Você deve estar pensando: “no dia seguinte do lançamento do iPad 2, lá vem essa figura me falando do Galaxy Samsung”. Ah, abra a cabeça e experimente! Um bom exemplo disso é que já quero o iPad 2… E juro que assim que comprar, posto sobre ele aqui no blog.


Camila Cabete
03 de março de 2011
Categorias: Institucional

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Resolvi juntar em um só post várias coisas que vem pipocando na mídia e que, para mim, tem o mesmo fio condutor. O mercado editoral vai precisar se adaptar para o digital. Acho que isso não é novidade para ninguém. A novidade é que o leitor está se adaptando ao digital. Isso ainda pode parecer um universo paralelo para alguns, mas analisando como nos adaptamos à entrada de novas tecnologias em nossa vida sabemos que, se há vantagens, praticidade e menor preço, acabaremos por incorporá-la em nosso dia a dia.

Algumas coisas aconteceram já esse ano nesse sentido e gostaria de dividi-las aqui. Em primeiro lugar, a Amazon lançou em seu site os singles. Copiando o nome que usávamos nos anos 90 para os álbuns de uma (ou duas) músicas, os singles literários (de ficção e não ficção) são histórias, relatos ou ensaios em poucas páginas com um tempo de leitura curto. Esses textos são vendidos apenas para o formato digital e podem ser acessados pelo Kindle, ou aplicativos dele em diversos aparelhos (iPad,Blackberry, iPhone).

Na mesma direção está a edição digital das palestras do TED. Para quem não sabe, o TED é um ciclo de palestras com duração de 15 minutos, onde cada expositor desenvolve uma ideia/tema/experimento. Esse conceito roda o mundo, selecionando em cada país nomes que se destacaram em algum campo de atuação. Vale tudo: projetos sociais, invenções científicas, campanhas publicitárias. Não há preconceito. Essas palestras foram transcritas para texto e podem ser também compradas em formato digital. Mais uma ideia de conteúdo rico para tempo curto.

Mais uma iniciativa nesse sentido é o The Atavist. Eles se denominam como um coletivo rotativo de escritores, jornalistas, editores, ensaístas e outros tipos criativos. Reunidos, eles geram conteúdo de não ficção, embasado visualmente com rico material gráfico, que pode ser comprado dentro da Amazon a US$ 1,99 e acessado via app para iPad, Android e até para o Nook. As matérias podem ser comentadas, aproveitando ainda mais uma das possibilidades do digital.

Não sei se vocês repararam, mas para mim fica claro que todas essas iniciativas tentam aproveitar o fato de que agora os potenciais leitores, ou mesmo novos leitores, ou leitores de jornal, têm cada vez com mais frequência em mãos um aparelho com possibilidades além das de comunicação. Esse pequeno computador se tornou o maior companheiro em todos os momentos e, entre uma ou outra atividade, se têm a oportunidade de se consumir conteúdo de qualidade por um preço mais do que justo.

Outra iniciativa de divulgação que eu achei bem bacana, e que caminha na mesma estrada, foi uma editora tailandesa,  A Book, que passou a disponibilizar resumo de seus livros em máquinas de senha de espera para serviços. Uma forma simpática de propaganda, já que é muito mais agradável do que ficar olhando para a parede enquanto não se é atendido.

Estatística que sempre me espanta são os números de venda de romances em formato para celular no Japão. Preciso dizer que isso não se replica em outros países e que, no Japão, o celular é de fato uma extensão do corpo (ou pelo menos é o que as estatísticas indicam). No Japão as versões digitais vendem milhões de cópias e há autores consagrados apenas nesse formato que nunca tiveram um livro impresso.

Tudo isso me faz ter esperança de que não há falta de leitores. O que ocorre é que os editores ou provedores de conteúdo precisam rever seus modelos e se adaptar a todas essas novas possibilidades que estão a nossa frente. É, de fato, um mundo novo e fascinante. Nesse novo mundo, quem manda é o leitor.

Ana Paula Rocha é carioca, trabalha na Zahar e tem o blog livrosenadamais.com.br

Ana Paula Rocha contribuirá de vez em quando com um post aqui no Blog do Gato. Ana é carioca, trabalha na Zahar e tem o blog livrosenadamais.com.br.


Ana Paula Rocha
15 de fevereiro de 2011
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